Suíça, EUA & Brasil
Respondi há pouco um comentário muito interessante feito por um leitor que se identificou com o sugestivo nome de Não Confio em Repórter.
Para que todo mundo entenda o bate-papo, vou reproduzir abaixo o comentário dele e a minha resposta. Não é o caso de uma discussão sobre quem tem e quem não tem razão. Mas sobre pontos de vista. Lá vai:
comentário do leitor
HELCIO COSTA JÁ NARREI AQUI ESTE CASO MAS NÃO SEI SE VC LEU, QUANDO UMA BRASILEIRA DISSE QUE FOI CORTADA POR GILLETE NA SUIÇA, OS VEÍCULOS E A MÍDIA BRASILEIRA FICOU INDIGNADA POIS O NOTICIÁRIO LOCAL (SUÍSSO) NÃO TINHA DIVULGADO NADA A RESPEITO, AÍ PRECISOU O MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES CELSO AMORIM, INTERVIR EXPLICANDO QUE LÁ SÓ É PUBLICADO MATÉRIA DEPOIS DO CASO APURADO E NÃO SUPOSIÇÃO, FICA AQUI O TOQUE.
Meu comentário
caro Não Confio em Repórter, como você foi franco e isso é muito bom, também vou ser franco, pois essa é uma das minhas características: essa regra pode dar certo na Suíça, mas acho que só lá. Exagero? Ora, por ela, o jornal Washington Post não teria publicado uma linha sequer sobre o caso Watergate, que levou Richard Nixon a renunciar à presidência dos EUA. Pense nisso.
O que você acha, leitor, desses dois pontos de vista? Participe desse debate.
Tweet8 Comentários para “Suíça, EUA & Brasil”
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Ailton V Costa em junho 21st, 2011
Bom dia! Objetivamente entendo que, de certo, os fatos de maior relevância não atraem a atenção desse leitor (Não confio em Reporter). Entendo também que aqui o sensacionalismo vende mais do que o fato, e assim permanecemos ignorantes. Mais fácil é assistir aos programas de TV da lua prateada. Por lá talvez seja diferente.
Talvez você tenha resgatado um exemplo muito distante da memória para ilustrar sua opinião. Bastava lembrar-se do nosso “Collorgate” onde o papel da imprensa foi decisivo na sequência e apuração dos fatos.
Outra questão… é interessante o processo de entendimento da opinião alheia quando é manifestada com tantos erros de concordância e escrita (rsrsrs).
Ailton V Costa
Tiago em junho 21st, 2011
Concordo com o sr. Hélcio: não há necessidade de que todo um caso esteja consumado e apurado para que se publique uma notícia. Entretanto, a mídia deve informar apenas os fatos em seu desenrolar, e não fazer suposições com o rótulo de “jornalismo interpretativo”. É louvável contextualizações e o levantamento dos precedentes da estória que se sucede, mas de forma muito concisa. O caso Watergate foi positivo, Collor foi derrubado por críticas da mídia, mas e o caso “Escola Base”?
Hélcio Costa em junho 21st, 2011
Olha, Tiago, você fez muito bem em trazer o caso da Escola Base para este debate. Afinal, ele é um caso emblemático de atropelo cometido pela imprensa brasileira.
Este caso foi um divisor de águas para boa parte da imprensa, principalmente para jornais, rádios e TVs interessados em melhorar seu produto e não apenas em picos de audiência e sensacionalismo. A partir do caso Escola Base, datado de 94, a imprensa passou a redobrar seu cuidado na divulgação de informações delicadas, criando regras e salvaguardas de apuração. Muitas vezes funciona. Outras não.
A imprensa não é infalível, longe disso (no caso Nardoni, por exemplo, muita gente chutou o pau da barraca). Mas ela aprendeu muito no caso Escola Base.
Tiago em junho 21st, 2011
Caro Hélcio, como com certeza é sabido pelo sr., mas escrevo para contextualizar demais leitores: a lógica da imprensa é a lógica do capitalismo.
A notícia é um produto, mas nem sempre o melhor produto é o que vende mais. Assim como em demais ramos de atividades, o “xing-ling” de baixo custo de produção vende muito numa sociedade com baixo podera aquisitivo e baixa escolaridade, como é o nosso caso. As redações hoje não podem dispor de recursos para manter um repórter na labuta de uma única boa história como nos tempos do citado caso Watergate. Isso não é culpa da empresa jornalística, é uma limitação do sistema econômico. O que o leitor “Não confio em repórter” fez foi comparar duas sociedades com distinções gritantes.
Agora, o que não pode acontecer é o que ocorreu hoje neste site: a chamada da homepage é “Emprego formal tem queda na região” e ao ler a matéria vê-se que só em São José isso ocorreu e que nas outras duas cidades apuradas, Taubaté e Jacareí, o saldo foi positivo. A impressão que tive ao ler a matéria é de confusão do repórter ao apurá-la e maior ainda do editor de dar um título a ela.
Obs.: Queria dar uma sugestão relacionada ao assunto. A medida que O Vale tem crescido, já foi cogitada a ideia de ser ter um ombusdman na redação? O conselho de leitores é importante, mas alguém da Acadêmia para publicar críticas sobre o jornal no próprio jornal é interessante (e retável também).
Rico em junho 21st, 2011
A imprensa além de informar, cobra. O problema no Brasil é que, dependendo do caso e de quem está envolvido nele, ele não é apurado. Deixa-se vencer o prazo, a população esquece, e depois… todo mundo sabe como é. E aí, o leitor deve ficar sem saber o que está acontecendo?
Hélcio Costa em junho 21st, 2011
olha, Tiago, a criação do cargo de ombudsman já passou pela nossa cabeça, sim. quem sabe tenhamos um novidade sobre isso em 2012. mas é bom deixar claro que a função de ombudsman é bem diferente da função do Conselho de Leitores –embora, ambas as funções, sejam formas de deixar o jornal mais próximo e mais transparente para seus leitores.
Edy em junho 21st, 2011
Helcio, Boa Noite,
Tenho 47 anos, e procurei em vários sites, jornais alguma reportagem sobre a morte da WILZA CARLA, ela foi um ícone quando fez TV, é lamentável mas a mídia mata os personagens e o ser humano na hora e quando querem, ??? Disso ela não sabia ??? Um abraço.
Agradeço sua atenção,
Edy
Hélcio Costa em junho 21st, 2011
Edy, eu li em diversos sites hoje sobre a morte da Wilza Carla. O VALE deu no Últimas Notícias.
sobre o tratamento dado às celebridades, ele realmente é cruel por parte da mídia de espetáculo –com provam os casos de Michael Jackson e da Princesa Diana. Ex-vedete do teatro rebolado, jurada de programas de TV e atriz de novelas, famosa pelo papel de Dona Redonda de ‘Saramandaia’, Wilza Carla possivelmente conhecia a fundo essa indústria.