Toda nudez será castigada?
Com todas as suas curvas e charme, Gisele Bündchen é a bola da vez.
A modelo está na mira da Secretaria de Políticas para Mulheres por causa de uma campanha de publicidade que, segundo o organismo federal, reforça o estereótipo da mulher como objeto sexual. Motivo: na campanha, Gisele ensina as mulheres o jeito certo de dar uma notícia ruim para seus maridos –de calcinha e sutiã. Foi o que bastou para o governo pedir e o Conar (Conselho Nacional de Autoregulamen-tação Publicitária) abrir um processo que pode culminar na retirada da campanha do ar, sob o aplauso de entidades de defesa dos direitos das mulheres. O que era uma piada (engraçada para alguns, de gosto duvidoso para outros) virou polêmica.
É muito barulho por nada.
Gisele não está só nessa guerra que setores do governo e da sociedade travam contra demônios que desafiam o politicamente correto.
Livros. No final do ano passado, o Conselho Nacional de Educação tentou proibir a leitura do livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, que reforçaria o racismo na figura de Tia Nastácia, a cozinheira negra do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Um iluminado chegou a sugerir que trechos da obra fossem reescritos. Reescrever Lobato?
A repercussão do episódio fez a ideia naufragar.
A soma de casos como esses mostra que o chamado politicamente correto, nascido sob o signo das boas intenções, virou uma praga nas mãos de gente que pensa pequeno. Pior: praga que traz em seu bojo uma ameaça perigosa, a censura. Ameaça que vem envolta em outro perigo –a tutela da sociedade pelo Estado.
Será que a sociedade precisa do Estado para saber o que ver, ler, ouvir e comprar? Ou de que piada rir?
Peladas. Há no país um excesso de leis e regras supérfluas. Surge um problema, lei nele. São leis e regras sonrisal –surgem, fervem e desaparecem.
Em São José, tempos atrás, o ex-juiz e então vereador Manoel de Lima Junior apresentou um projeto de lei para banir cartazes e outdoor com modelos seminus das ruas e bancas de jornais da cidade. Batizado de Lei da Nudez, o projeto foi aprovado, sancionado e virou lei. E? Nunca foi aplicado.
Este ano, de novo: aproveitando a marola nacional, o vereador Cristóvão Gonçalves (PSDB) apresentou projeto vetando a distribuição do chamado kit-gay nas escolas de São José. Batata: virou lei. Mas quem pretendia distribuir o kit nas escolas? Ninguém. O material já havia sido vetado pela presidente Dilma Rousseff (PT). Mais uma lei sonrisal. Mas que deve render votos para o vereador na campanha de 2012.
Antídoto. Para conter espertalhões e excessos do politicamente correto poderia ser criada, bem ao gosto nacional por regras, uma nova lei.
Em homenagem à pedagogia da topmodel, seria a Lei Gisele. O que diria? Artigo 1: a sociedade é maior que o Estado. Artigo 2: não crie leis e regras sem necessidade. Artigo 3: Respeite quem pensa diferente de você. Artigo 4: Revogam-se as disposições em contrário.
Um Comentário para “Toda nudez será castigada?”
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Adriano Pereira em outubro 4th, 2011
Eu disse, o mundo está ficando um lugar muito chato de se viver. O “politicamente correto” é a arma dos insuportáveis de plantão!