Tudo certo como 2 a 2 são 5
Eu sempre gostei de contas e de números.
Sem nunca ter sido gênio, longe disso, cheguei perto de ser considerado bom aluno de matemática, física, estatística e cálculo, seja no ensino médio, seja na Faculdade de Arquitetura –que larguei para ser jornalista. Nesse mundo, 2 e 2 nunca dá 5, a não ser por erro de cálculo ou licença poética.
Para que tudo isso?
O VALE divulga hoje sua primeira pesquisa focada nas eleições municipais. Os números revelam cenários interessantes.
Em São José, eles reforçam que o muitos intuiam, mas não tinham base concreta para comentar: o PSDB está numa sinuca de bico.
Com Emanuel Fernandes na disputa, o PSDB tem uma boa vantagem –50,31% contra 31% de seu principal adversário, Carlinhos Almeida. Os outros nomes na disputa acabam pulverizados.
Sem Emanuel, a coisa se complica. De líder da pesquisa, o PSDB –com Claude Mary de Moura– cai para a quinta colocação, com 2,3% das intenções de voto, e Carlinhos vai a 40,7%. Entre Carlinhos e Claude aparecem Alexandre da Farmácia (16,5%), Cristiano Pinto Ferreira (3,5%) e Antonio Donizete Ferreira, o Toninho do PSTU (3%). E o número de indecisos dispara: 20%. Para piorar: votos que seriam de Emanuel no primeiro cenário não migram automaticamente para o PSDB no segundo.
E daí? Números são números e eles estão colocados a meses e meses da eleição. Hoje, servem como retrato de um cenário que pode mudar. E muito. Mas eles deixam claro o desafio que o PSDB e o PT têm pela frente em São José este ano.
Emanuel sustenta que não será candidato.
Após quatro eleições vitoriosas contra o PT, Emanuel e o prefeito Eduardo Cury acreditam que podem eleger até um poste para o Paço. Em parte têm razão: pesa a favor do PSDB o apoio, direto ou indireto, da máquina pública. Os caciques do PSDB lembram também que Cury, em sua primeira eleição, saiu como azarão, atrás de Carlinhos, e acabou eleito no primeiro turno.
Será Claude o Cury de 2012?
O certo é que, nesta pré-largada, a disputa, sem Emanuel, fica em aberto. Sorte de Carlinhos. Ou azar? Em 2004, ele largou na frente e não emplacou. Em 2008, sem apetite para a disputa, foi novamente derrotado. E agora? Vai?
Taubaté. Em Taubaté, dois cenários mostram a mesma coisa: a eleição deve ir para o segundo turno, com a oposição –Afonso Lobato, o nome do PSDB (seja Bernardo Ortiz, seja Júnior Ortiz) e Mário Ortiz– disputando cabeça a cabeça o Bom Conselho. O cenário é de empate técnico, com leve vantagem para Lobato. O nome apoiado pelo governo Roberto Peixoto? É traço.
Mas se engana quem acha que Peixoto e o PMDB são cartas fora do baralho. Em disputa tão aperta e com segundo turno, qualquer por cento de votos pode fazer diferença.
Mas estes são números. E política é política. Será que nela vale menos a matemática de Pitágoras e mais a matemática poética de Caetano Veloso? Afinal, para o baiano, 2 e 2 são 5. As urnas vão responder.